Eramos um
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Idas e Voltas
Langróia,
Coisa cigorelha,
Assanhada, finória
Não te quero mais
Não te sou mais teu
Sua coscuvilheira.
Vou-me embora
Não volto mais
Tô indo
Quase fui,
Quase.
Ia te perder
Ficar sem você
Nunca mais você.
Vem cá,
Te perdôo
Não falo mais no assunto
Perdão total
Nem me lembro mais
Nem me recordo
De você olhando
E se mexendo
E requebrando
E dando mole
Pra outro
Pra outro
Pra outro.
Sua rabeta,
Delambida,
Vou-me embora sim
Vou mesmo
Vou
Vou
Vou nada
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Hoje tem marmelada?
Cansei de ser engraçado!
Cansei mesmo!
Que história é essa?
Eu aqui a falar e a escrever e o povo a rir?
Quê isso, gente?
Eu sou um cara bastante sério, sou realmente sério e tenho dito!
Dói muito essa coisa de "ele é tãããõ engraçado!" "ele é hilário!"
Sou nada!
Sou uma pessoa triste, preocupada com os destinos do mundo, com a imortalidade da alma, com o futuro da humanidade!
E vocês ficam aí a rir de mim!
Vamos parar com isso!
Volto a dizer:
Sou um cara muito sério!
E se vocês não acreditarem, arranco fora esse nariz de plástico vermelho que tanto me incomoda, limpo essa risada do rosto e aí quero ver alguém achar graça de mim!
quarta-feira, 11 de março de 2009
Hoje
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Jus Esperniandi!
Sei
Será
O
Será
O
Atendem
Vou
Pedindo e
Implorando e
Gritando e
Vamulá, diz
O
E
E
E
Ó,
De
sábado, 17 de janeiro de 2009
Morte e Vida Severino
Ele andava pela rua sem prestar muita atenção na vida quando ouviu:
Severino! Eu pensei que você estava morto rapaz!
Eu hein? Morto, eu?
Você! A Noquinha me disse até que tinha ido no seu enterro! E tem mais: o pessoal lá do bar fez até uma vaquinha pra dar um dinheirinho pra sua mulher - ô cara como é que pode isso?
Bem, você tá me vendo e eu também tô te vendo, daí tô vivo, né? Ou não?
E o amigo seguiu andando e balançando a cabeça. Ver um morto não é lá dessas coisas agradáveis, ainda mais quando o morto diz que não está morto - que coisa!
E o Severino ficou com a pulga atrás da orelha.
Chegou no escritório e a coisa continuou:
Ó Severino, quem é morto sempre aparece! Gritou um engraçadinho com um sorriso amarelo. O chefe da seção levou para outra sala duas secretárias que teimavam em dizer que o pobre Severino era uma alma do outro mundo, e falavam alto, meio histéricas, deixando o clima tenso. Um boy até tentou acender uma vela. Que coisa, o coitado do Severino já não aguentava mais; pediu pro gerente pra ir embora mais cedo e teve que ouvir a gozação: ir mais cedo, você já foi!
Matutando durante a volta para casa, Severino começou a colocar algumas fichas em ordem dentro da cabeça:
Não tinha se visto no espelho pela manhã ao se barbear - achou que o danado tinha se quebrado e ninguém o avisara. O café estava sem gosto - mas sem gosto algum -parecia que estava bebendo ar. Não vira sua mulher em lugar algum da casa. E mais um monte de outros pequenos acontecimentos que ele não dera importância e que agora voltavam como um filme.
Morto, eu? Como pode ser - morto e falando, conversando, sentindo o calor do sol, pegando ônibus? Morto eu?
E puxou a cordinha quando chegou perto do seu ponto. E o motorista continuou e continuou e continuou enquanto Severino seguia puxando a cigarra fazendo o maior barulho. E ele gritava, você não está me ouvindo - pára essa joça, pára, eu quero descer! Pombas!
Finalmente o bicho parou e ele desceu blasfemando contra o calor, o motorista, o ônibus, a vida e a morte.
Entrou em casa. Ninguém. Nada, casa vazia. A sala estava escura e a luz teimava em não acender. Severino sorriu, vai ver tô mesmo morto e ainda não sei, falou alto pra ver se sua voz tinha eco. Tinha!
Entrando no seu quarto reparou que a cama estava arrumada, ué? Ele saíra e não se lembrava de ter arrumado a danada! Na mesinha de cabeceira um livro aberto ao lado de um pacote de lenços de papel indicava que alguém tinha chorado. Severino ficou sério, sentou na cama, olhou o livro e leu ao acaso:
“A ventania misteriosa passou pela árvore cor de rosa”
Que coisa besta, árvore cor de rosa, ventania, parece coisa de boiola.
E ao ouvir sua própria voz ecoando pelas paredes, reparou que partes de suas pernas começavam a ficar transparentes e um cheiro de terra molhada entrava de carona numa lufada de vento.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Singular
Singular
Ela entrou correndo fugindo da chuva.
Puxava pela mão um menino encharcado.
Não parecia que iria haver uma venda, mas...
Pois não!
Ar-condicionados - preciso de uns 3 ou 4!
Ah sim, ares-condicionados, claro.
Foi o que falei, quero bons preços e ótimas condições!
Todos iguais?
Claro!
Ah sim, então é bom preço e ótimas condições!
Foi o que eu disse!!! O sr. Vai me mostrar ou vai ficar aí repetindo tudo o que falo, hein? Falou e virando-se para a criança soltou o verbo:
E você não faça bagunça, fique quieto e não mexa nos guardas-chuvas!
Guarda-chuvas! Gritou o vendedor lá do outro lado da loja.
A mulher rodou a loja inteira, colocou defeito em tudo, falou mal das marcas, contou experiências ruins de suas amigas e reclamou dos preços, enquanto o vendedor sorria e demonstrava os produtos.
Pouquinha quantidade né? Desdenhou.
Como? Já lhe mostrei uma dúzia de marcas diferentes! Saiba a senhora que ares-condicionados é no Paraíso dos Móveis!
São!
É!
É!, É!, E esse slogan é usado há mais de 30 anos! Desculpe-me o anglicismo.
São! e não me interessa nem um pouco a sua religião, anglicismo, protestantismo, catolicismo. Quero os ar-condicionados e pronto!
Ares! Ares! E não vendo mais nada!
Quero falar com o dono! Gritou furiosa a mulher.
O dono sou eu! E não vendo, tenho dito! Não vendo e pronto!
Mal educado, estúpido, imbecil, podem ir o senhor e a sua loja pras putas que os pariram! A mulher falou e deu uma rodada. Puxou o filho e foi saindo.
Já na porta se voltou e ouviu o homem falar:
Muito interessante este plural, muito, volte aqui senhora, volte que eu vou lhe fazer um ótimo desconto!
domingo, 9 de novembro de 2008
A canção do Bobo
Variz da Meiga
E a
E de
Se
Conte-me a razão
De
Sorrio
Isso é mais coisa doida de doido
Sei
Sorrio,
Sou
Pulando
Sou
Entendo mas não compreendo
Foi
Fosse
Se soubesse,
A
E
O
O
E
É
E num
sábado, 25 de outubro de 2008
De novo
JPVeiga
Quando eu nascer de novo quero ser uma Efemérida.
Para mudar a relatividade do meu tempo - viver apenas um dia e neste dia ser bebê, criança, adolescente, adulto, idoso e numa conclusão total, morrer.
Cumprir minha vida em 24 horas, ser o que fui com a consciência plena de tudo que eu fizer terei guardado na lembrança, viver na instantaneidade, ser um ser de tempo real e simultaneamente poder usufruir da vida e da morte. Um começo com a certeza de final, sabido e cronometrado.
Uma vida plena, cheia e completa, num ciclo pequeno para alguns e de quase uma eternidade para outros.
Viver como quem, ao saber que seu tempo rapidamente se escoa, trata cada segundo como uma pérola, como uma dádiva de Deus, como o que ele realmente é: um momento mágico!
Nascer, crescer, conhecer seu amor, procriar e gloriosamente, morrer junto.
Agora, se não der, e eu puder escolher outro, quero nascer Cavalo-Marinho!, para poder nascer macho, crescer fêmea carregando meus filhos na barriga e parir!
E se de todo eu não conseguir nenhum dos dois, quero voltar de novo eu mesmo - para poder fazer uma nova vida conhecida e poder errar onde eu quiser, acertando ao meu bel prazer, comandando uma vida já vivida, aproveitando cada momento como se, o desconhecido fosse o já amigo, sabido e principalmente amado fim.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Sax Appeal
- Sabe,
- É...
-
-
- É,
-
- Presta
- Tá,
- ...
- Vai,
-
- É
- É,
- Péra
E a
O
-
-
-
- Tá
-
-
- É!,
-
-
- E o
- E
- ...
Bati a
Eu pulei e comecei a
- Foi
- E precisava,
Eramos Um
- JPVeiga - Variz da Meiga e Mariz Conzê
- Quem somos nós? Somos 3 em 1!!! JPVeiga - Variz da Meiga e Mariz Conzê - Vou contar sobre um deles: JPVeiga Peixes, Serpente no Horoscopo Chinês, filho de Oxum, aprendeu a ler já velho, com 7 anos, o pai queria tanto que ele fosse engenheiro, quase foi arquiteto, é Diretor de Arte, Ilustrador e Pintor, escreve para crianças desde sempre. Tem 3 filhos e uma neta, é casado e não pretende mudar essa condição. Mora como os sapos - na Lagoa.